terça-feira, 12 de março de 2019

Por G1
 

Apagão na Venezuela já está no quarto dia e saques se espalham
Apagão na Venezuela já está no quarto dia e saques se espalham
Os estados venezuelanos de Mérida, Lara e Zulia estão há mais de 80 horas sem energia elétrica. Os primeiros registros de interrupção do fornecimento de energia foram na cidade de Caracas, no estado de Miranda, na quinta-feira (7). Algumas regiões chegaram a ter o fornecimento restabelecido, mas a situação é instável e parte delas ficou sem energia de novo.
De acordo com um membro do comitê executivo da Federação dos Trabalhadores da Indústria Elétrica da Venezuela, Alexis Rodríguez, esses três estados, Mérida, Lara e Zulia, serão os últimos a receber energia elétrica, informou o jornal local "El Nacional".
Na Região Metropolitana de Caracas, pelo menos 21 zonas tiveram o fornecimento de energia restabelecido nesta segunda, segundo o jornal "El Universal". Mas outras 10 zonas da região, aproximadamente, seguem sem luz.

Blecaute na Venezuela

Os primeiros relatos do apagão chegaram na tarde de quinta-feira (7). Segundo o "El Nacional", o blecaute afetou todos os estados da Venezuela.
Ainda não está claro o motivo da falta de energia – as agências do setor elétrico da Venezuela, do governo de Nicolás Maduro, falam em "sabotagem criminosa e brutal contra o sistema de geração elétrica" na usina de Guri, no estado de Bolívar.
Em um pronunciamento feito no sábado, Maduro disse que um ataque cibernético impediu a restituição da energia. "Às 19h do mesmo dia se encaminhava o processo de recuperação quando recebemos um ataque cibernético internacional contra o cérebro de nossa empresa de eletricidade que automaticamente derrubou todo o processo de reconexão", disse.
Pessoas usam celulares durante apagão em Caracas, no dia 7 de março — Foto: Matias Delacroix/AFPPessoas usam celulares durante apagão em Caracas, no dia 7 de março — Foto: Matias Delacroix/AFP
Pessoas usam celulares durante apagão em Caracas, no dia 7 de março — Foto: Matias Delacroix/AFP
Ele responsabilizou os Estados Unidos pela "guerra elétrica" que estaria por trás do blecaute. "Foi utilizada uma tecnologia de alto nível que só os Estados Unidos possuem", afirmou.
A oposição culpa o sucateamento da rede elétrica do país na gestão de Maduro. Durante ato contra o regime de Maduro realizado no sábado, o autoproclamado presidente e líder da oposição Juan Guaidó disse que o apagão é decorrente de corrupção e falta de manutenção.
No Twitter, Guaidó questionou a versão do governo de que o blecaute é fruto de sabotagem externa. "A única sabotagem é a do usurpador a todo o povo da Venezuela", publicou.
Guaidó pediu nesta segunda (11) à Assembleia Nacional, de maioria oposicionista, que decrete "estado de emergência" nacional. O texto do pedido prevê que as forças armadas colaborem no restabelecimento da energia elétrica e que a população tenha seu direito de protestar garantido.

Cadáveres do IML entram em putrefação e caos nos hospitais

Nos últimos dias, pelas redes sociais, venezuelanos relataram comércio fechado, semáforos sem funcionar e caos no transporte público.
Nos hospitais, a situação ficou dramática. Os estabelecimentos equipados com geradores de energia passaram a atender apenas os casos urgentes.
Há relatos de que pacientes morreram em decorrência da falta de energia elétrica, mas não existe balanço oficial. A ONG Codevida, especializada em questões de saúde, afirma que 15 pessoas morreram.
O diretor da organização não-governamental, Francisco Valencia, afirmou nove das mortes aconteceram no estado de Zulia, duas em Trujillo, e quatro no hospital Pérez Carreño, em Caracas, de acordo com a RFI.
Já a organização Médicos pela Saúde informou que 21 pessoas morreram. O médico Julio Castro, porta-voz da organização, divulgou no Twitter uma lista de mortes registradas até as 21h locais (22h em Brasília) de domingo. O deputado da Assembleia Nacional, de maioria opositora, José Manuel Olivares confirmou o balanço.
O governo de Nicolás Maduro nega as informações.
No Instituto Médico Legal da capital, onde as famílias aguardam a identificação dos mortos, as câmaras frias pararam de funcionar e os cadáveres entraram em putrefação.
Passageiros no aeroporto de Simon Bolívar, na Venezuela, aglomeram-se em dia de apagão — Foto: Marco Bello/ReutersPassageiros no aeroporto de Simon Bolívar, na Venezuela, aglomeram-se em dia de apagão — Foto: Marco Bello/Reuters
Passageiros no aeroporto de Simon Bolívar, na Venezuela, aglomeram-se em dia de apagão — Foto: Marco Bello/Reuters
No aeroporto internacional de Maiquetía, o principal de Caracas, centenas de voos foram afetados, e passageiros ficaram sem banheiro ou restaurantes à disposição.
A retirada de dinheiro nos caixas eletrônicos também foi suspensa.

Roraima afetada

O apagão também atingiu o sistema elétrico do estado brasileiro de Roraima, que desde sexta-feira é mantido 100% por termelétricas. O problema teve início ainda na quinta-feira, após identificação de dois desligamentos na interligação Venezuela-Brasil.
O estado é o único da federação que não faz parte do Sistema Interligado Nacional (SIN). A diferença o faz dependente de outras fontes distribuidoras de energia, no caso, a Venezuela, através do Linhão de Guri, e também de usinas termelétricas.

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